• Dr. Eloy Rusafa

Sapatos vs Coluna


O pé é a principal estrutura do corpo humano que interage com toda a cadeia cinética inferior, e que apresenta uma das maiores extensões de variações estruturais de todas as partes do corpo.

Para se adaptar às irregularidades do solo, suportar o peso do corpo e a força de reação do solo, o pé é constituído por três arcos plantares que funcionam como amortecedores e que distribuem as cargas recebidas pelos pés em três regiões: calcâneo (recebe 60% de carga) mediopé (recebe 8% carga) e antepé, principalmente cabeça do quinto e primeiro metatarso (recebem 32% da carga).

O calçado deveria servir como suporte para os pés, aprimorando funções e não agravando a transmissão de informações das pressões sobre pontos adequados de apoio ou durante movimentos necessários ao caminhar, o calçado pode alterar o alinhamento ideal do pé.

O salto alto é um dos agravantes da moda atual, porém sua presença é cada vez mais certa no dia-a-dia de adolescentes e crianças que estão passando ainda pela fase de desenvolvimento com condições físicas frágeis. O encurtamento da musculatura da panturrilha (gastrocnêmicos) é resultado do uso demasiado de calçados com salto alto, levando pessoas já habituadas ao uso desse tipo de calçado apresentar desconforto na hora de usarem um calçado de sola plana.

Tipos de saltos

Sobre os saltos, é válido destacar que há diversos tipos, tamanhos, alturas e formatos, os mais conhecidos são o Carretel, também chamado de Sabrina, que é um pouco “afinado” no centro, o tipo Cone, que é semelhante a geometria que o nomeia, o Salto Vírgula, que foi criado em meados de 1950 pelo designer de sapatos Francês Roger Vivier, o Salto Luís, que recebe o nome em homenagem a Luís XV, pois surgiu em seu reinado, seu formato é semelhante a uma ampulheta, pois é mais largo a base, inspirado neste último modelo o designer Roger Vivier criou também o salto Luís Modificado, sendo mais baixo e mais suave que o Luís original. Os tipos de saltos estão ilustrados na figura 3 (click feminino, 2012).

Alterações Posturais

O aumento da altura do calcanhar provoca modificações no padrão do caminhar, além de uma instabilidade do pé. Existe uma importante relação entre a altura do salto e a sobrecarga dos arcos do pé.

O uso do salto altera a distribuição do peso do corpo, reduzindo a pressão no calcanhar e deslocando-o para o antepé. A proporção do peso sustentado pela ponta do pé aumenta diretamente com a elevação da altura do calcanhar.

Em relação à báscula da pelve, a literatura afirma que o salto produz uma anteversão pélvica e um aumento da lordose lombar. No entanto, alguns autores concluíram com seus estudos que o salto alto provoca uma retroversão da pelve e uma retificação lombar. Em outro estudo, foram realizados uma avaliação postural e testes específicos de encurtamentos musculares e mobilidade da pelve e membros inferiores em 20 mulheres que usavam salto alto e baixo. As voluntárias que usavam salto frequente relataram apresentar mais retroversão pélvica.

O OLHAR BIOMECÂNICO DO SALTO ALTO

Em estudo realizado com 15 mulheres examinadas em 3 momentos (descalças, salto médio de 3,5 cm e salto alto de 7 cm), concluiu-se que o tipo de calçado influencia diretamente nos sintomas de cansaço, dor lombar e plantar.

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A mobilidade (extensão e flexão) do tornozelo está relacionada com a eficiência da ação da ‘bomba da panturrilha’ que ejeta o sangue contra a gravidade. Essa mobilidade tem por objetivo elevar o corpo na ponta dos pés impulsionando-o, função essa da musculatura que acaba ajudando ao coração no retorno venoso.

Com o uso do salto alto pode ocorrer limitação nesse movimento de forma que pode diminuir a ação da bomba. A intensidade dessa redução de bombeamento está relacionada intimamente com a altura do salto, onde quanto mais alto o salto, maior é a redução da força gerada para o bombeamento. A frequência do uso do salto alto e tipo de sapato não modificam a postura estática.

Problemas relacionados ao uso de sapato de salto superiores a 3 cm são:

  • Dores na coluna;

  • Maior predisposição a lombalgias;

  • Repercussões no aparelho locomotor;

  • Encurtamento muscular;

  • Artrose no joelho;

  • Desvio lateral acentuado do dedão do pé;

  • Calosidades.

A altura do salto é diretamente proporcional à intensidade das alterações biomecânicas. O uso do salto por adolescentes e crianças, aumenta o risco de desenvolvimento de osteoartrose na fase adulta. Um dos principais agravos ao usuário do salto alto é a lombalgia. Todos esses problemas influenciam diretamente na vida profissional e social dos indivíduos usuários.

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O tratamento possui custos elevados, logo o ideal é que haja uma mudança nas características desse tipo de calçado, para que reduza assim os problemas causados aos indivíduos. A substituição por calçados ergonomicamente adaptados parece ser a melhor estratégia para reverter esse quadro, porém essas adaptações contrapõem-se aos padrões estéticos traçados pela moda.

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