• Dra. Elaine Cristina Lima

Enxaqueca


Dentre as mais de trezentas causas de cefaleia, a Enxaqueca ocupa o segundo lugar, perdendo apenas para a Cefaleia Tipo tensional Crônica. Não existe “dor de cabeça comum”, todas têm um nome, ou seja, um diagnóstico.

A Enxaqueca é uma doença que afeta principalmente as mulheres (três vezes mais que em homens). Afeta predominantemente o adulto jovem (mas pode acometer com maior frequência, todas as idades).

Ainda não temos um exame sérico ou de imagem, que mostre a doença.

No entanto sabemos que tem um componente genético e um distúrbio bioquímico associado, ligado a queda no nível de serotonina e oscilações no nível de CGRP (peptídeo ligado ao gene da calcitonina).

Essas alterações levam a mudanças no funcionamento do tronco cerebral e suas interações com o nervo trigêmeo (que inerva vasos cerebrais, meninges e seios da face).

As características principais da Enxaqueca são:

· Dor moderada ou forte;

· Geralmente é unilateral, mas pode ser bilateral;

· Latejante ou pulsátil;

· Acompanhada por náuseas e/ou vômitos;

· Piora com luz (fotofobia);

· Piora com barulho (fonofobia);

· Piora com certos odores (osmofobia);

· Piora com movimentação;

· Pode durar entre 4 horas a três dias

· Frequência: pode ocorrer algumas vezes na vida ou ser quase diária

Em alguns casos é precedida por formigamento de um lado do corpo ou fraqueza, ou alteração visual (dura entre dez minutos e uma hora), e é a chamada aura enxaquecosa.

Existem alguns outros sintomas acompanhantes, menos frequentes, assim como outros tipos de “aura”, que serão considerados somente durante uma anamnese mais cuidadosa.

Existem fatores desencadeantes, como:

· Privação do sono ou dormir além do tempo habitual;

· Ansiedade, estresse, preocupação;

· Jejum prolongado (pular refeições);

· Ingesta de certos alimentos: gorduras, frituras, frios, refrigerantes, chocolate, doce, salgados, café em excesso, bebidas alcoólicas, aditivos (em molhos, sucos e temperos);

· Mudanças de temperatura e pressão atmosférica;

· Flutuações hormonais (gestação, menopausa, período pré-menstrual);

· Exercício físico mais intenso, incluindo atividade sexual;

· Uso de certas medicações, como anticoncepcional e algumas medicações vasodilatadoras.

Algumas vezes há necessidade de exames complementares para descartar uma outra doença possível ou concomitante, geralmente de imagem.

Complicações:

· Abuso ou uso excessivo de analgésicos, que geralmente aumentam a frequência das dores e podem causar vício;

· Gastrite, úlceras e insuficiência renal;

· Algumas vezes, a dor pode perdurar por mais de sete dias, configurando ¨o status enxaquecosa”, onde há necessidade de internação e investigação;

· A aura enxaquecosa pode causar um verdadeiro AVC (principalmente em fumantes e usuários de hormônio terapia);

· Prejuízo social, psicológico e familiar.

As medicações utilizadas para as crises são analgésicas simples ou associados, anti-inflamatórios, derivados da ergotamina, triptanos (específicos para enxaqueca), corticoides e Neurolepticos.

As medicações utilizadas para o tratamento geralmente são antidepressivas, antiepiléticos e beta bloqueadores (também utilizados para hipertensão e arritmias).

As medicações de uso diário só são indicadas quando o número de crise for maior do que quatro ao mês ou se as crises forem em menor número, mas causarem muito desconforto e prejuízo emocional e social, ou se a enxaqueca tiver uma aura típica.

O tratamento mais importante e que traz resultado duradouro é a mudança de hábitos de vida:

· Higiene do sono;

· Alimentação saudável;

· Exercício físico regular;

· Melhora emocional e espiritual: autoconhecimento, principalmente conseguido através de acompanhamento psicoterápico, meditação, cursos e leituras.

Ao perceber aumento no número ou intensidade das crises, ou mudanças em suas características, procure um especialista para confirmar o diagnóstico e orientar no tratamento.

Não espere o quadro piorar, tenha uma vida mais saudável agora!

Dra. Elaine Cristina Lima

Neurologista

CRM 79511

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