• Dra. Elaine Cristina Lima

Doença de Parkinson - Impacto Psicossocial


A Doença de Parkinson é a segunda desordem neurodegenerativa mais comum em adultos acima de 50 anos. Só está atrás da Demência de Alzheimer e com o envelhecimento da população, a patologia tende a aumentar de prevalência.

Além de alterações motoras como tremor de repouso, rigidez, lentificação e dificuldades de marcha e equilíbrio, existem as alterações não motoras como desordens do comportamento, declínio cognitivo e disfunções autonômicas.

A depressão e a ansiedade figuram entre as principais desordens comportamentais. A Demência de Alzheimer é mais frequente na Doença de Parkinson do que na população geral. Hipotensão postural, hiperidrose (excesso de suor) e impotência são disfunções autonômicas que limitam ainda mais a qualidade de vida do paciente.

À medida que a doença evolui, pode haver dependência física e gerar comprometimento na capacidade de prover a própria renda, o que geralmente acarreta tensões nos relacionamentos com parceiros, familiares e amigos.

Isolamento social e no local de trabalho

Muito além da necessidade de tratamento médico, as pessoas diagnosticadas com a Doença de Parkinson necessitam de compreensão e suporte psicológico enquanto enfrentam a situação, no intuito da adaptação à condição crônica e manutenção de sua independência.

FAIXA ETÁRIA, FATORES DE RISCO E CAUSAS

A faixa etária de início da doença está entre 50 e 60 anos de idade. Os fatores de risco maiores são: história familiar e exposição a pesticidas.

Apesar da causa exata da doença ainda não estar totalmente estabelecida, a sua fisiopatologia envolve a degeneração de neurônios produtores de Dopamina no mesencéfalo e a produção de substâncias anômalas denominadas de Corpúsculos de Lewy, que atrapalham as funções corretas dos neurônios.

Essas alterações da fisiologia normal seriam desencadeadas por estresse ambiental e o processo de envelhecimento por si só. Exposição a toxinas como uso de pesticidas e abuso de drogas ilícitas, além do estresse oxidativo do envelhecimento provocam uma inflamação crônica das células. Os neurônios da substância negra no mesencéfalo são afetados especificamente provocando a doença.

Alterações genéticas podem levar ao mesmo processo de perda neuronal e há genes relacionados à doença de Parkinson. Pesquisas indicam que pode haver uma causa viral contribuindo para uma parte dos casos. Os patógenos (microrganismo específico que provoca doenças) entrariam no sistema nervoso central através do nervo olfatório.

SINTOMAS E SINAIS (MOTORES E NÃO MOTORES)

O diagnóstico é clínico e baseado na presença de TREMOR DE REPOUSO, RIGIDEZ, INSTABILIDADE POSTURAL OU ALTERAÇÃO DE MARCHA E LENTIFICAÇÃO.

O tremor surge primeiro em um lado do corpo passando para o outro, posteriormente. Há dificuldades para abrir pacotes e levantar-se da cadeira com rapidez. Os movimentos e a marcha tornam-se lentos. A postura muda e os pacientes começam a curvar-se para frente. A doença progride com o tempo e começam a ocorrer quedas por falta de equilíbrio.

Alguns sinais e sintomas NÃO MOTORES acompanham a doença e podem representar alguns dos maiores desafios para a qualidade de vida. Até 60% dos pacientes podem desenvolver Demência concomitantemente. Iniciam com perda de memória, dificuldade para realizar tarefas comuns, desorientação no tempo e no espaço. Alguns desenvolvem delírios, alucinações, depressão e ansiedade.

Outros transtornos do humor, como apatia (falta de motivação) e abulia (diminuição da capacidade de pensar e agir) podem ocorrer. Problemas do sono são muito comuns, principalmente insônia à noite e sonolência durante o dia, além de uma extrema inquietude nas pernas durante a noite (síndrome das pernas inquietas).

Alguns sintomas da Doença de Parkinson afetam o sistema nervoso periférico (as disautonomias) que regula atividade de vasos, glândulas e vísceras. Essas manifestações precisam ser reconhecidas e abordadas prontamente à medida que surgem. A hipotensão postural (queda de pressão ao levantar-se) pode causar desmaios. E é causada por desajuste na inervação dos vasos.

A hiperidrose (sudorese excessiva) e a hipersalivação são causadas pelo desequilíbrio na ação das glândulas sudoríparas e salivares. A Constipação e incontinência fecal por desequilíbrio na inervação dos intestinos. Dificuldades para deglutir pode ser causada pela alteração na movimentação esofágica e na diminuição do peristaltismo de outras vísceras.

Dificuldades urinárias nas formas de retenção, incontinência, urgência miccional e noctúria (aumento na frequência de micções durante a noite) são frequentes. Dificuldades de ereção também podem fazer parte dos sintomas.

A Dor Crônica deve ser abordada nesses pacientes, principalmente as relacionadas a deformidades articulares e esqueléticas e alterações de tônus.

TRATAMENTO MEDICAMENTOSO E NÃO MEDICAMENTOSO

As últimas décadas tem testemunhado inovações nas medicações

disponíveis, além de possibilidades cirúrgicas não invasivas como o DBS (um eletrodo colocado profundamente no cérebro) mas ainda não contamos com uma terapia definitiva que modifique o curso da doença.

O tratamento consiste na abordagem integral da doença. Depende do estágio, da idade do paciente, da intensidade de cada sintoma não motor, considerando presença ou não de declínio cognitivo associado, alterações neuropsiquiátricas, problemas do ciclo sono-vigília e sono, disautonomias e dor crônica.

O tratamento é medicamentoso e não medicamentoso. Pondera-se sobre os efeitos colaterais e benefícios das várias medicações. Muitas vezes há associação entre elas para melhor efeito.

Os sintomas não motores muitas vezes necessitam de outras medicações específicas que podem causar efeitos colaterais. Os profissionais precisam ser experientes para definir mudanças no tratamento, fracionando doses, substituindo ou acrescentando medicamentos.

A abordagem não medicamentosa consiste na FISIOTERAPIA E ATIVIDADE FÍSICA DIRIGIDA, visando manter equilíbrio, flexibilidade articular, força muscular e postura. A TERAPIA OCUPACIONAL visa estabelecer as melhores formas de auxílio e estratégias para incrementar a capacidade funcional e independência em casa, no meio social e no trabalho.

FONOTERAPIA para manter o domínio da fala e da deglutição.

PROGRAMAS EDUCACIONAIS para o paciente e seus familiares e cuidadores auxiliam na compreensão sobre a doença e melhoram a aderência e a manutenção da melhor qualidade de vida. A PSICOTERAPIA é imprescindível para a melhor capacidade de lidar com a progressão da patologia e a manutenção do estado de humor necessário para o enfrentamento das dificuldades.

O SUPORTE NUTRICIONAL é dirigido para manter o aporte necessário, evitando perda de peso e intervindo nas problemáticas da constipação e lentidão do esvaziamento gástrico.

TRATAMENTO CIRÚRGICO

A cirurgia só é indicada para pacientes com diminuição dos efeitos da terapia dopaminérgica (medicamentosa) no decorrer do tempo. Especificamente as flutuações motoras, ou seja, o paciente experiencia uma abrupta piora dos movimentos, independente do uso do medicamento ou os medicamentos começam a ter uma duração muito curta. Outra indicação são os movimentos parasitas ou involuntários que ocorrem com o tratamento prolongado.

DBS (Deep Brain Stimulation) é o tratamento cirúrgico mais indicado. Coloca-se um eletrodo nos núcleos da base ou na região chamada de tálamo (locais importantes para o controle dos movimentos). O objetivo é reduzir os tremores, rigidez e lentificação e possibilita a redução das drogas utilizadas. O mais importante é que o DBS não afeta o tecido cerebral, é reversível e pode ser ajustado à medida que a doença progride.

IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO

A boa comunicação é o cerne da interação entre pessoas com Parkinson, seus cuidadores e os profissionais da saúde. Profissionais comprometidos com a informação clara e objetiva, mas ao mesmo tempo de forma empática, podem fazer significativa diferença para os pacientes. Quando as pessoas com Parkinson sabem o “como” e o “porquê” de uma recomendação, além de compreender sua doença, eles podem ter expectativas mais fidedignas e estão melhor preparados para navegarem no sistema, fazer as perguntas mais pertinentes e ajudar a fazer a melhor escolha pessoal.

A comunicação deve ser oferecida de forma adaptada, para que a informação baseada em evidência possa ser oferecida e compreendida tanto pelo paciente quanto pelos seus familiares e cuidadores de forma individualizada. Dessa forma o paciente é estimulado a participar do julgamento e escolha no que diz respeito ao próprio tratamento.

TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR

O engajamento do paciente nas práticas com os fisioterapeutas e educadores físicos é essencial pois previne contraturas irreversíveis, dá maior flexibilidade, melhora postura, diminui risco de quedas, e principalmente, mantém a independência por muito mais tempo.

Nos casos com maior tempo de evolução, o terapeuta ocupacional e o fonoaudiólogo são necessários para a manutenção do autocuidado. O nível de estresse e ansiedade tornam-se bem menores, assim como os episódios de depressão. Com frequência, os sintomas não motores debilitam mais a qualidade de vida desses pacientes do que os sintomas propriamente motores.

Pode haver a necessidade da ajuda de profissionais médicos de outras áreas (Vascular, Gastrenterologia, Psiquiatria, Urologia, etc.).

O acompanhamento psicológico, individual ou em grupos deve ser instituído desde o primeiro momento. A falta de motivação é uma barreira para a aderência ao tratamento e sua eficácia. O objetivo do grupo vai além da discussão e esclarecimento sobre a doença propriamente dita, mas discute opções de vida e lazer.

DIFICULDADES NO DIAGNÓSTICO E ESCOLHA DE UM BOM PROFISSIONAL

Há algumas doenças que fazem parte do diagnóstico diferencial da Doença de Parkinson. O sintoma principal é o tremor mas há outras doenças que cursam com tremor, curáveis ou não.

Outras doenças muito semelhantes, com rigidez, lentificação motora, alteração de marcha e equilíbrio. Algumas causadas por drogas, outras degenerativas e sobretudo, com tratamentos totalmente diferentes.

Na presença dos sintomas acima, procure o profissional mais adequado.

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Dra. Elaine Cristina Lima - Neurologista Com 16 de anos de experiência vividos em Medicina, na área de Neurologia com MBA Executivo em Saúde; Expertise em Neurologia e Clínica Médica; UNIFESP

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